sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Solidariedade


Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso.
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego.
Também não me importei.
Agora estão me levando.
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém.
Ninguém se importa comigo.
Bertolt Brecht (1898-1956)


Também hoje, para tantos, é indiferente o que sucede ao que viaja ao lado, ao vizinho do prédio, ao colega do trabalho, ao grupo social que não o seu...

7 comentários:

  1. Já conhecia, é uma mensagem extraordinária, e sempre bom voltar a ler!..
    Grande blog, onde há muito que aprender.
    Obrigado
    Àurea

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  2. Infelizmente, uma realidade da sociedade dos nossos dias.
    Apenas se valoriza o que nos diz respeito e não nos esforçamos para lutar pelos direitos uns dos outros, sempre com a desculpa que não nos diz respeito.

    Mas será que viver em sociedade, não implica essa preocupação, lutar uns pelos outros?

    E porque será que nos preocupamos com o que não devemos?...

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  3. Solidariedade, Amigo! Mas acreditas que as novas sociedades sabem o que isso é?
    Quando não há respeito (leia-se SOLIDARIEDADE) em relação aos mais velhos, mesmo por parte de familiares próximos, filhos, etc. Quando não se tem em conta as dificuldades por que estão a passar diversas famílias que passam FOME, sim FOME, quem passa indiferente junto de um monte de trapos, debaixo do qual há uma pessoa que dorme na rua, achas que se pode falar em SOLIDARIEDADE?!
    Penso que estamos perante um vocábulo que em breve sairá dos nossos dicionários, porque da alma da maioria, acredita, já saiu há muito.
    Abraço.

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  4. ALGUÉM ME SABE DIZER O QUE É SOLIDARIEDADE? NOTO-A EM CAMPANHAS TELEVISIVAS, DE VEZ EM QUANDO PELO ANO FORA E, PRINCIPALMENTE NO nATAL! e O RESTO DOS DIAS? aNDA TÃO ESQUECIDA ESTA PALAVRA E O QUE DELA RESULTA QUE, QUALQUER DIA...NÃO NOS ADMIREMOAS QUE NINGUEM NOS LIGUE!!! UM BEIJO GRAÇA

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  5. Eu relembro o que me ensinava a minha querida mãe quando eu era pequenino: "Não custa nada cumprimentar, dar os bons dias, mostrar um sorriso. Semear amizade, alegria e solidariedade, vai trazer-nos mais tarde boas sementeiras."
    Claro que era um espaço e foi num tempo em que quase todas as pessoas do meio se conheciam, ou mais tarde ou mais cedo poderiam interagir. Claro que o tempo não corria à velocidade que hoje corre. (Reparem que hoje tomamos o pequeno almoço a ler o jornal e almoçamos a ver a informação na TV).
    Hoje impingem-nos, a cada momento, coisas que temos de comprar, (sem as quais não deixávamos de ser felizes) claro que temos de trabalhar mais e mais para as obter. Depois é a competição desenfreada e o desejo de acumular. Teresa, eu também constato o mesmo e tenho pena que o Estado e as pessoas, não invertam esta tendência de atropelar valores que foram e continuam essenciais para a vida em sociedade.
    Afinal, sempre ajuda que se vá se dizendo que Natal é ou deve ser todos os dias.

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  6. Adoro esse texto.
    Faz-nos pensar um pouco no egoísmo que a sociedade nos vai incutindo e que não podemos deixar vencer.

    Obrigada pela lembrança!

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  7. É a realidade que nos vai sendo incutida pelos exemplos de desprendimento diários, é certo, como também concordo que isso não pode querer dizer que se aceite e nada se faça para o inverter. A última coisa que se cale que seja a consciência, não é Fernanda?

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Interessante explicação acerca de moral e ética