sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A idade responsável

Estarmos na posse de todos os elementos de facto é essencial para a formação de uma opinião, mas que a situação, no mínimo, nos interpela, disso não há dúvida. Ora leiam:
EUA: Prisão para menino de 10 anos suspeito de violação.
Uma juíza norte-americana ordenou hoje a prisão a um menino liberiano de 10 anos suspeito, com outros três, da violação, na cidade de Phoenix, de uma menina de 8 anos.
O menino, algemado, chorou durante a audiência com a juíza. Estava sentado numa cadeira grande demais para o seu tamanho.
O menor, que vai ficar preso enquanto decorrem as investigações, é indiciado também pelo crime de rapto.

8 comentários:

  1. A questão que se põe (penso!) é saber, se sim ou não, a criança cometeu esses crimes. A violação já me espanta um pouco, mas rapto?! Uma criança de dez anos já tem condições, até fisicas, de praticar rapto? Ai amigo, a ser verdade, que mundo é este? E qual a atitude correcta que a justiça deve tomar?! Tantas interrogações, para as quais não tenho resposta.
    Abraço.

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  2. Concordo com a opinião da Teresa Santos.
    Acresec que o que enerva nestas notícias é que, sem termos acesso ao contexto, somos imediatamente levados a pensar nos habituais lugares-comuns da criança que ainda não tem discernimento para distinguir o bem do mal, etc... Todavia, provavelmente todos nós já vimos actos de pura crueldade e manipulação praticados por crianças. Não é possível tecer juízos sensatos sem estarmos na posse de mais informação... Por outro lado, existindo alguma verdade na história,uma coisa é certa: algo funcionou muito mal na educação desta criança.

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  3. A situação parece-me absurda, claro! Mas há efectivamente crianças cujo comportamento ultrapassa tudo o que é possível imaginar. Tive essa experiência enquanto docente e órgão executivo de agrupamento, em escolas de intervenção prioritária, durante 16 anos e assuguro-vos que crianças de 10 anos de idade que foram sujeitas desde muito tenra idade a violações, abusos, abandono maternal e familiar, adoptam comportamentos completamente fora da realidade do ser comum. Em Portugal existem muitas crianças como esta. O trabalho do Instituto de Apoio à Criança tem sido uma grande ajuda.

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  4. Há crianças e crianças, é certo. Há idade legal, ficcionada, para a gente assumir responsabilidades penais! Se calhar temos que rever e equacionar as formas de sanções para os infractores. Reparem que neste caso, a criança de 10 anos, não era norte-americana, era fisicamente pequeno (a cadeira era grande para o seu tamanho) e esteve algemado enquanto era interrogado pelo sra. juíza. (haveria o perigo de fugir ou atacar os guardas ou o tribunal!).
    Bom, o facto de estar algemado já pode ser uma sanção. Por isso, eu defendo que os presos devem ser úteis à sociedade, produzir riqueza para ela, compensando os seus males e as despesas que a sociedade tem com ele. São situações muito complexas, tenho consciência, daí, também, todos os pontos de vista das minhas queridas comentadoras, que eu partilho, se complementam e são pertinentes. Beijinhos

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  5. Existe criança assim.
    Nem sei se acho tão espantoso...

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  6. Manuel Afonso, concordo plenamente. A criança, não tem culpa do desconcerto a que esteve sujeito no seu percurso de vida.
    Nós, sociedade que o vai castigar, temos culpa de não fazermos nada pelos presos que estão nas nossas prisões abandonados à promiscuidade, à preguiça, sem aprenderem a ser gente!
    Também gosto deste cantinho onde emerge a troca de ideias sobre a vida que nos rodeia e nos preocupa. Beijinhos.

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Interessante explicação acerca de moral e ética