terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Cogitando o Passado



Júlio Dinis


Hoje apeteceu-me relembrar a minha juventude e as minhas leituras que então fiz. Houve muitos autores que marcaram essa minha época e, porventura, todo o meu percurso nesta vida, através da marca indelével que deixaram na minha formação e naquilo que eu sou.
Um deles, talvez dos mais importantes foi JÚLIO DINIS, ou melhor, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, seu verdadeiro nome. Teve outros pseudónimos, mas nenhum o celebrizou como o de Júlio Dinis, e foi este que eu li e que dessa forma travou conhecimento comigo. Sei que da sua obra fazem parte, Poesias, Inéditos e Esparsos, Cartas e Teatro, mas apenas li os seus quatro romances: As Pupilas do senhor Reitor, Uma Família Inglesa, A Morgadinha dos Canaviais e Os Fidalgos da Casa Mourisca. Todos e cada um memoráveis monumentos literários. Comecemos hoje, pelo primeiro.


AS PUPILAS DO SR. REITOR

Sinopse

Num cenário povoado pelo moralismo, desenrola-se um drama amoroso. Os filhos do rico agricultor José das Dornas, Pedro e Daniel, envolvem-se em disputas relativas a duas órfãs, Clara e Margarida, entregues ao sr. reitor da aldeia, tutor das duas jovens órfãs, a quem muito estimava, e lhes valeu como pai, conselheiro e professor. A Clara e a Margarida encaram a vida por forma diferente: a primeira, expansiva e alegre, por vezes estouvada, feliz de si própria e dos outros; a segunda, fechada e reservada.

Desde cedo Daniel, apaixona-se por Margarida, mas o pai depois de uma tentativa frustrada no seminário envia-o para estudar medicina. Anos depois, aquando do seu regresso à aldeia, Daniel já não se recorda da Margarida e acaba por se interessar por Clara, que é noiva do seu irmão Pedro, colocando em causa o bom nome da família e a harmonia familiar.
Um dia, quando o Pedro ia surpreender o irmão com a sua noiva, a Margarida apercebendo-se, avisou-os e tomou o lugar da irmã, colocando em causa a sua própria reputação e sujeitando-se ao vexame público.
A obra, termina com o Daniel, reconhecendo o acto abnegado da Margarida e recordando-se do amor que lhe devotava em criança, a retomar a sua reconquista. Acabando em romance.

São de salientar, ainda as personagens, igualmente marcantes na obra:
O Dr. João Semana: médico octogenário de ideias limitadas e ultrapassadas, simples e prestável.
O João da Esquina: comerciante atento a intrigas locais, representante do meio fechado e pequeno.
O Velho Mestre: velho filósofo que se instalara na vila para procurar paz na vida do campo e preparar-se para morrer. Servia de mestre a Margarida.

2 comentários:

  1. Sabe sempre tão bem quando recordámos um livro que lemos há algum tempo. As recordações vêm em avalanche. Pelo menos, comigo é assim.
    Gostei do seu comentário.

    :)

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Interessante explicação acerca de moral e ética