quarta-feira, 15 de julho de 2009

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Hoje apeteceu-me rir à gargalhada, a bandeiras despregadas. Rir e mais rir e continuar a rir sempre que me lembro.
A gargalhada nem é um raciocínio, nem uma ideia, nem um sentimento, nem uma crítica: nem é o desdém, nem é a indignação; nem julga, nem repele, nem pensa; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma! E no entanto é o único inventário do mundo político em Portugal.
Um governo decreta? Gargalhada.
Fala? Gargalhada.
Reprime? Gargalhada.
Cai? Gargalhada.
E sempre a política, aqui, ou pensando, ou criando, ou liberal ou opressiva, terá em redor dela, diante dela, sobre ela, envolvendo-a, como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacável – a gargalhada!
Eça de Queiroz

3 comentários:

  1. “Eu penso que o riso acabou – porque a humanidade entristeceu. E entristeceu – por causa da sua imensa civilização. (...) Quanto mais uma sociedade é culta - mais a sua face é triste. (...) O Infeliz está votado ao bocejar infinito. E tem por única consolação que os jornais lhe chamem e que ele se chame a si próprio – O Grande Civilizado.”

    Eça de Queiroz, “A Decadência do riso”, in Notas Contemporâneas, Lisboa, Edição “Livros do Brasil”, 2000, pp.165-166

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  2. Amigo Manuel,
    Agradeço o seu cumprimento pelo meu aniversário, é sempre bom recebermos a atenção dos amigos, nesses dias importantes de nossas vidas.

    Infelizmente, as gargalhadas, que fazem tão bem para a saúde, são privilégios deles, políticos.
    Beijos,
    Ana Lúcia.

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  3. Nesse caso, acho que é mesmo muito cruel, a gargalhada...

    ^^

    “Sou jardim
    quintal.
    Sou sala
    sou fogão
    forno com pão.
    Sou mesa posta
    sou cama macia
    travesseiro de ervas.
    Sou roseira na janela
    Sou casa.
    Mas a luz só ilumina, amigo,
    quando chegas dentro dela.”

    A presença do amigo é sempre essencial... Por isso vim te visitar!!

    Beijo bem grande e uma linda sexta-feira!!

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Interessante explicação acerca de moral e ética