sábado, 7 de março de 2009

Mais qualidades - O Humanismo
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Humanismo deriva do latim “humanus” (humano, do que é humano) e tornou-se ao longo dos séculos uma forma de estar e agir.
Surgiu como contraposição à cultura medieval, rude e grosseira, cheia de misticismos com uma nova corrente de pensamento, de cultura e estética, que pugnava o retorno ao classicismo da harmoniosa e culta sociedade de pensamento grego-latina.
Desenvolveu-se como consequência do racionalismo e do iluminismo do século XVIII e do livre-pensamento do século XIX. Pode dizer-se que emerge de uma cultura ética, faz apelo ao uso da razão e ao universalismo, por forma a alcançar o bem-estar da humanidade. As formulações conhecidas do "só sei que nada sei" ou a "da dúvida metódica", são bons indicadores deste pensamento livre e céptico a dogmas.

Entre várias definições, fiquemos com estas, que dão uma clara e actual noção de humanismo:

O Humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. Defende a construção de uma sociedade mais humana, através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais, dentro do espírito da razão e do livre-pensamento, com base nas capacidades humanas. O Humanismo não é teísta e não aceita visões sobrenaturais da realidade."
IHEU - Minimum Statement on Humanism

"Podemos definir brevemente um humanista como alguém cuja visão do mundo confere grande importância aos seres humanos, à vida e ao valor do ser humano. O Humanismo realça a liberdade do indivíduo, a razão, as oportunidades e os direitos."
Gaarder, Jostein em O Livro das Religiões

8 comentários:

  1. Obrigado Dr. Manuel por nos esclarecer sobre assunto MUITO relevante nos dias que correm; era bom que várias pessoas visitassem este blog e reflectissem sobre os conceitos que nos tem carinhosamente aqui deixado como reflexão.

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  2. Contrariamente ao que é costume considerar-se, a Idade Média não foi apenas uma época teocêntrica, centrada no primado de Deus (Teos), e, por isso, tacanha e castradora do pensamento. Não foi apenas a "noite de mil anos" que muitas vezes se considera.
    Não, foi também uma época de pensamento, como é óbvio. Só que a reflexão crítica estava muito dependente e mesmo subjugada às imposições de uma Igreja demasiadamente presente na vida do Homem, coarctando a sua liberdade e a sua capacidade de reflexão. Mas, mesmo assim, surgiram obras e autores hoje fundamentais, que só não tiveram mais projecção porque a imprensa só viria a ser descoberta por Gutenberg no século XV.

    É claro que o estudo dos autores clássicos - da minha predilecção, devo dizer, até por causa da minha formação - permite-nos dizer que a Antiguidade Clássica apostava na consideração de que o Homem estava no centro do Universo, questionando, problematizando, racionalizando, assim construindo o conhecimento científico, porque decorrente da dúvida, da quaestio, da experiência, muito proporcionada, em Portugal, pela gesta das descobertas.
    Assim, o Humanismo será precisamente a asumpção de uma vida baseada nos valores humanos e numa postura ética correspondente, assente na ideia do antropocentrismo (antropos), o qual, tenho a certeza, bebeu também naquela "cultura medieval" de que fala, caro Amigo, pois jamais o Homem consegue abstrair-se completamente do passado, que, decerto, o condicionará sempre. Até porque somos o resultado do que outros já fizeram.

    Abraço!

    Paulo Pereira Guedes

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  3. Amigo Paulo,
    Tratou-se de uma reflexão ligeira, superficial, assente em conhecimentos da juventude e do que desde então ainda persiste em vir à memória (correndo o risco, calculado de não ser preciso), . Para isso ajudou o interesse especial que sempre mantive por este ramo da ciência. Sempre fui fascinado pela história e tudo o que é antigo. O humanismo veio a propósito da personagem referenciada, a quem sempre atribuí um pensamento e acção próximos desta corrente. Quanto ao resto, tem o meu amigo inteira razão. A escuridão medieval, como de resto tudo o mais, deve ser relativizada. Não esqueço, por exemplo, a importância de estudiosos como S. Tomás de Aquino, S. Bernardo , S. Agostinho ou Santo Isidoro de Sevilha e o papel das escolas monásticas e toda a riqueza trovadoresca subsequente, ou ainda as sedutoras cantigas de amigo, escárnio ou maldizer.
    Um abraço amigo

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  4. Manuel:

    Por que razão gostarei eu tanto deste blogue?
    Quero dizer, muito sinceramente, que não aprecio apenas os temas por ti seleccionados para cogitarmos, mas também a maneira como os estruturas e exprimes numa elegante expressão escrita.Dá gosto ler e pousar sobre os teus textos! Parabéns!
    Quanto a esta tua reflexão, gostaria que muitos a lessem, reflectissem sobre ela e que fossem permeáveis a esse espírito humanista!
    Um abraço.

    Lídia Valadares

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  5. Obrigada Manuel Afonso por visitar o nosso blog (Um Farol chamado Amizade...) e dessa forma ter-me dado a oportunidade de conhecer este seu blog onde se respira cultura e conhecimento.

    Não irei dissertar acerca do Humanismo mas quero apenas referir que de facto, como refere, a "escuridão medieval" deverá ser relativizada pois tudo o que acontece, quer na história, ciência, literatura, filosofia... é um produto, um acumular de conhecimentos, de experiências, de vivências anteriores.

    Se assim não fosse, como poderiam ter surgido, já na época considerada humanista e só falando em Portugal, o grande Fernão Lopes e as suas crónicas, as novelas de cavalaria, a prosa doutrinária, a poesia palaciana e mesmo o teatro de Gil Vicente?

    Voltarei a este blog com frequência pois aqui "aprende-se".

    Um abraço

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  6. Obrigado Lídia, são palavras imerecidas. Deixa que saliente, isso sim, a tua criatividade, porventura, credora de direitos autorais. É de facto enriquecedora a expressão "pousar" sobre os textos, que tem a capacidade de transmitir muito mais do que ler e reflectir. Muito bem. Beijinhos
    (tinha já respondido, mas tive de tentar repetir de memória, pois por razões que desconheço, não foi publicado.)

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  7. Manuel Afonso, como agradecer a sua visita ao meu blog (ainda tão pobrezinho?!) Dessa visita resultou este retorno. Retorno a algo de novo. Aqui aprende-se, aqui há sensibilidade, aqui está o retrato de um Homem inteiro. Mas, meu amigo, onde está a Ética, onde encontramos actualmente, o Humanismo?
    Este seu blog é para se LER DEVAGARINHO, para pensar, reflectir, meditar, sonhar. Encontrei nele os meus Valores primeiros: Ética, Humanismo, Amizade, Respeito.
    Abraço forte.

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  8. Reenvio da Lídia: Em primeiro lugar, quando escrevi o comentário no "Cogitar", não estava à espera de resposta, foi sincero, sentido e, longe de ser imerecido, é parco, no que respeita ao assunto (já tinha comentado com a Isilda o que pensava sobre o teu blogue). Contudo, não posso deixar de dizer que gostei imenso da tua resposta . Obrigada. Adorei a apreciação semântica do verbo pousar, e as palavras bonitas que me dirigiste, embora saiba que foram ditadas pelo olhar generoso de um amigo. Normalmente, as pessoas com valor são assim, descobrem, em pequenos nadas dos outros, coisas interessantes... Também aproveito para dizer que gosto do nome que escolheste: "Cogitar" - uma só palavra e que diz tanto... e traduz perfeitamente o cariz do blogue. É diferente de todos os outros que conheço, tem muito nível. Gosto imenso e vou ser uma seguidora atenta do "cogitar". Gosto de cogitar com ele... Até breve!
    Bom, meninos, boa-noite e durmam bem. Nada de trabalhos suplementares...
    Um grande abraço.´
    Lídia.

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Interessante explicação acerca de moral e ética