sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O homem está sempre a surpreender

É o melhor do pior: obras recolhidas no lixo e expostas no Museu de Arte Má, nos Estados Unidos. Eis a nova referência artística.
O que de mais elogioso pode dizer-se do Museu de Arte Má (Museum Of Bad Art, MOBA) é que começou num caixote do lixo. Em 1993, o antiquário Scott Wilson encontrou num contentor de Boston, EUA, um quadro a que deu o nome de "Lucy in the Field with Flowers" (Lucy no Campo com Flores), mostrou--o ao seu amigo Jerry Reilly e juntos decidiram coleccionar arte má.

O slogan não engana: o MOBA é uma casa que expõe "arte demasiado má para ser ignorada". Todas as obras "devem ter a capacidade de espantar as pessoas", explica o curador do museu, Ollie Hallowell. O espólio do museu, que pode ser visitado em http://museumofbadart.org, oferece as piores paisagens, os retratos mais disformes e várias obras abstractas que fariam chorar de inveja muitos surrealistas.

"É difícil ser-se muito bom mas também muito mau", brinca Ollie Hallowell. Em leilão as peças tem sido arrematadas por valores a rondar os 17 euros. Mesmo assim, trouxeram lucro à instituição, já que a política do museu proíbe qualquer nova aquisição cujo valor ultrapasse os 5 euros.
O sucesso do museu chegou a Melbourne, Austrália e, em 1996, nascia o Museu de Arte Particularmente Má (www.mopba.org). Este museu já angariou mais de 200 peças e, desde 2005, atribui anualmente o Prémio Itchiball, a pior entre as piores obras de arte.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Espólio de Pessoa

O espólio documental do escritor Fernando Pessoa, que inclui cartas, fotografias, livros, apontamentos, foi classificado como "tesouro nacional" pelo "relevante interesse cultural", designadamente, histórico, linguístico, documental e social" e reflectir "valores de memória, autenticidade, originalidade, raridade, singularidade e exemplaridade", refere o Governo.
A sub-directora da Biblioteca Nacional, disse que este é "o mais elevado grau de classificação dentro do património nacional". A classificação abrange todo o espólio documental conhecido e o que se vier a descobrir e impossibilita a sua saída de Portugal.
O espólio documental de Fernando Pessoa está depositado sobretudo na Biblioteca Nacional, mas há documentos do escritor na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, na Casa José Régio, em Vila do Conde, nas bibliotecas municipais do Porto e Ponta Delgada e na posse dos herdeiros.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Representativa sim, mas não tanto




Lei do financiamento dos partidos "esqueceu-se" dos independentes

“A Comissão Nacional de Eleições (CNE) classificou de "esquecimento" o facto da lei que define a isenção dos partidos políticos no pagamento de IVA nas campanhas eleitorais não regular o financiamento das candidaturas independentes.
Ao contrário dos candidatos autárquicos propostos por forças políticas, os independentes suportam o IVA, a uma taxa de 20 por cento, do material que compram para difundir a sua mensagem política e estão impedidos de vender bens ou artigos, para angariar fundos, sem cobrar o IVA.
(…)
Na sequência de um pedido de parecer formulado recentemente pelo candidato independente à Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, a CNE afirmou que "o regime legal previsto", no que respeita ao IVA, "é susceptível de colocar em crise o princípio da igualdade das candidaturas.”
In, Jornal de Notícias, 28 de Julho de 2009

Os partidos políticos, com relutância, lá acabaram por aceitar as listas de eleitores independentes às autarquias locais. Mas enquanto os partidos estavam isentos de IVA, os senhores deputados esqueceram-se de estender o mesmo regime de isenção aos independentes. Não terá sido propositado, mas que torna desigual, dificulta e onera, não existem dúvidas. Estamos, parece certo, perante algo contrário à Constituição da República Portuguesa. Estamos perante erro ou lapso manifesto do qual ainda nenhum partido político ou deputado veio assumir responsabilidades. Para que se não diga que a democracia pertence aos partidos, haja alguém que venha assumir a "mea culpa" !

domingo, 26 de julho de 2009

O amor anda no ar...


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

terça-feira, 21 de julho de 2009

O medo que se instala

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O alarme social é, em regra, prejudicial, mas ninguém tem dúvidas de que a prevenção e a prudência nos torna mais preparados para enfrentar o desconhecido. Por vezes, é mesmo preciso enfatizar os efeitos de eventual pandemia, para conformar comportamentos individuais e colectivos e, assim, diminuir os factores de propagação. Confesso que não sei se a dimensão do alarme se adequa ou não às características próprias do presente surto de gripe, mas continua a ser preferível prevenir a remediar.
Em sentido, porventura oposto, fica a opinião de Manuel António Pina, que pelo seu habitual misto de sarcasmo e humor, costumo ler.

“Tenham medo, muito medo
O cenário é apocalíptico (…): ruas desertas, escolas, fábricas, restaurantes, centros comerciais fechados, (…) igrejas, estádios, casas de fado, fechados; e as famílias fechadas em casa (persianas corridas, janelas fechadas, portas fechadas, casota do cão fechada) com as câmaras de segurança direccionadas, já não para os bairros periféricos, mas para partículas em suspensão e vizinhos (…). A crer em jornais e TV, o H1N1 propaga-se mais depressa que o comunismo; pior: os comunistas só comiam criancinhas, o H1N1 come a família toda. 127 mortos nos Estados Unidos, 21 no Canadá, 7 na Austrália, 29 no Reino Unido, 3 em Espanha… Segundo o último relatório da OMS, já há 311 mortos em todo o mundo (…).
Face a números tão aterradores, o que são 6 milhões de crianças morrendo anualmente devido a fome e subnutrição e 10 milhões devido a doenças que podiam ser evitadas com uma simples vacina?”
In Jornal de Notícias, 21/07/09

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Coisas do homem e da natureza

Shangai está a afundar-se

"Não bastando a ameaça da subida do nível do mar provocado pelas alterações climáticas, Shangai confronta-se com um afundamento que resulta do seu próprio peso. Uma selva de asfalto, povoada por quase vinte milhões de pessoas, que produz cerca de 15% da riqueza da China e com um porto por onde passam 30% das suas exportações, Shangai vai-se afundando entre 1,5 a 2 centímetros por ano. O novo colosso de vidro e aço com 632 metros de altura, agora iniciado, vai acelerar o ritmo de afundamento, dizem os peritos." http://doc.jurispro.net/news.php?lng=pt&pg=18296

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Contas

Hoje apeteceu-me rir à gargalhada, a bandeiras despregadas. Rir e mais rir e continuar a rir sempre que me lembro.
A gargalhada nem é um raciocínio, nem uma ideia, nem um sentimento, nem uma crítica: nem é o desdém, nem é a indignação; nem julga, nem repele, nem pensa; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma! E no entanto é o único inventário do mundo político em Portugal.
Um governo decreta? Gargalhada.
Fala? Gargalhada.
Reprime? Gargalhada.
Cai? Gargalhada.
E sempre a política, aqui, ou pensando, ou criando, ou liberal ou opressiva, terá em redor dela, diante dela, sobre ela, envolvendo-a, como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacável – a gargalhada!
Eça de Queiroz

Continuam a lançar os dados.....