quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ainda as crises

Eça também questionou as sociedades que conheceu, em especial a lisboeta. Preocupou-se, com a qualidade de vida das diferentes classes sociais e o conformismo social e político. Toda a sua obra está pejada de sátira.

Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, cita Eça no seu discurso (SPEECH/06/283, Comemorações do dia 9 de Maio, Centro Cultural de Belém, 8 Maio 2006):
“Num artigo publicado n’ O Repórter, dizia Eça de Queiroz: “A crise é a condição quase regular da Europa (…) todos sofrem de uma crise industrial, de uma crise agrícola, de uma crise política, de uma crise social, de uma crise moral (…) a situação da Europa é medonha. Sob as crises que a sacodem, já a máquina se desconjunta. Nada pode deter o incomparável desastre, que todavia, no fundo a situação é simplesmente normal. Natural e normal.”.

Crises ! Económicas! Sociais!

A crise económica mundial, a desregulação dos mercados, as vantagens principescas dos gestores das instituições financeiras apontados como responsáveis pelos empolamentos ficcionados dos produtos e lucros, com a imoral distribuição de dividendos, como sucedeu recentemente com dinheiros dos contribuintes norte-americanos que se destinariam a evitar a falência, são exemplos, entre muitos, que levam as populações a esconjurar os políticos e as suas opções.

O poder de compra das famílias, de forma geral, associado à boa ou má performance das empresas e da criação de riqueza por uma nação, tem baixado drasticamente, provocando mudanças bruscas de hábitos e consumos e colocando em crise compromissos por elas assumidos. Este cenário agrava-se, significativamente, como é fácil de inferir, com a situação desemprego, pois aí em vez de redução do ganho, passa a viver-se de subsídios ou do amealhado, havendo-o.
Nestas alturas, tudo se questiona, a bondade das políticas seguidas até aí, as medidas que se estão a tomar para superar ou menorizar a crise, a Ordem monetária e económica mundial, o poder das nações e Estados. É a dicotomia Norte e Sul, povos ricos e pobres, Estados produtores e detentores da matéria-prima, a nível planetário, ou de classe social num contexto mais restrito. Ou noutro contexto próximo, a existência de espaços de livre circulação, como Schengen, em contraponto às barreiras que no Norte de África impedem o acesso à Europa. Tudo, dizem vozes escutadas, pode levar à proliferação de gritos de revolta, fazendo juz ao brocardo: “em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

É, por isso, sem mais comentários, que reproduzimos o extracto, sempre actual, de Viagens na minha Terra:

“E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?
- Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.
Almeida Garrett, in 'Viagens na minha Terra'”

E, ainda noutro registo, não menos sarcástico, de Guerra Junqueiro:

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, (…) um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, (…)”
Guerra Junqueiro, Pátria, 1896

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mia Couto e o Fantástico


Não podíamos deixar de dar conta da recente apresentação da obra de António Martins "O Fantástico nos contos de Mia Couto".
E não podiamos deixar de o fazer pela proximidade dos intervenientes, desde logo o amigo António Martins, autor da obra, dedicado estudioso de Mia Couto e, depois, as lindas apresentadores da obra, Lídia Valadares e Isilda Lourenço Afonso, que o fizeram com tanta excelência e de forma tão cativante num permanente jogo de palavras, que o articulista infra (outro vulto da escrita e exímio esgrimador das palavras) as apelidou de "tenistas" num jogo de alta competição, tal a agilidade com que permutavam o entusiasmo na explicação da obra, do labor do autor António Martins e da riqueza linguística e semântica de Mia Couto. Exibiram de forma encantadora o "'escritor da terra" e a sua expressão absolutamente única e originalíssima, que descreve as próprias raízes do mundo, explorando a natureza humana na sua relação umbilical com a terra.
A apresentação, contou ainda com uma genial declamação de Adriano Guerra do conto em análise, que cativou toda a assistência que enchia o salão.
A sessão decorreu no salão nobre dos Paços do Concelho de Lamego, no pretérito dia 28 de Março, com uma assistência digna de registo.
(Imagem, Jornal do Douro, de 1 de Abril de 2009)



sábado, 28 de março de 2009

Questões de Justiça



«e, correndo os pleitos, por não se poderem evitar de todo, venham a rabulice, a trapaça, a apelação, a praxe, os ambages, para que vença tarde quem por justa justiça deveria vencer cedo, para que tarde perca quem deveria perder logo».
In Memorial do Convento, José Saramago

Uma das críticas que amiúde se ouvem acerca da justiça prende-se com a morosidade na aplicação da justiça aos casos concretos, a demora em encontrar e sancionar os culpados, a demora na resolução dos conflitos civis que lhe são presentes, a existência de demasiadas garantias de defesa. Ora se culpam os funcionários e juízes por desleixo na tramitação processual, ora os advogados por usarem e abusarem de expedientes dilatórios em vista do retardamento da decisão. Foi pensando nestes, (advogados e as partes que representam) e não em pretenso garantismo excessivo do ordenamento jurídico português, que Saramago escreveu a frase supra, paradoxalmente das mais transcritas por aqueles destinatários nos seus articulados e alegações de direito. Quem diria.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Cogitando o passado III

No meu tempo de escola, enquanto tive a disciplina de Inglês por três anos, o Francês acompanhou-me ao longo de todo o liceu. Fiquei sempre, por isso, um incondicional da Língua Francesa. Foi sempre para mim o símbolo de uma língua romântica a companhar Paris e o povo de la liberté, fraternité et igualité. Recordo, dessa época, o manual que continha parte dos versos da canção popular francesa "Au clair de la lune", que tinhamos de decorar e trauteei ao longo dos anos, e será porventura a única que saberia hoje declamar. A recordação agora, surgiu por acaso, ao divagar pelo youtube, encontrei-a declamada de forma muito bonita, que aqui deixo, precedida dos versos:

Au clair de la lune,
Mon ami Pierrot,
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot.
Ma chandelle est morte,
Je n'ai plus de feu,
Ouvre-moi ta porte,
Pour l'amour de Dieu.
Au clair de la lune
Pierrot répondit :
Je n'ai pas de plume,
Je suis dans mon lit.
Va chez la voisine,
Je crois qu'elle y est,
Car dans sa cuisine
On bat le briquet.
http://www.youtube.com/watch?v=64Rij7vM5Jc

terça-feira, 24 de março de 2009

Para Reflectir... caso vos apeteça

"Um agricultor coleccionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha esse determinado cavalo e atazanou-o até conseguir comprá-lo.

Um mês depois o cavalo adoeceu e ele chamou o veterinário: - Bem, o seu cavalo está com uma virose; é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu regressarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.

Alí perto, o porco escutava a conversa toda... No dia seguinte deram o medicamento ao cavalo e foram-se embora.
O porco aproximou-se do cavalo e disse: - Força, amigo! Levanta-te daí, senão serás sacrificado!!!

No segundo dia, deram-lhe o medicamento e foram-se embora.
O porco aproximou-se do cavalo e disse: - Vamos lá amigo, levanta-te senão vais morrer! Vamos lá, eu ajudo-te alevantar... Upa! Um, dois, três! No terceiro dia deram-lhe o medicamento e o veterinário disse: - Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

Quando se foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e disse: - É agora ou nunca, levanta-te depressa! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, agora mais depressa, vá... Fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa!Upa!!! Tu venceste, Campeão!!!
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo a correr no campo e gritou:
- Milagre!!! O cavalo melhorou! Isto merece uma festa... para comemorar, vamos matar o porco!!!

Reflexão: Isto acontece com frequência no ambiente de trabalho e na vida também. Dificilmente se percebe quem tem o mérito pelo sucesso. Muitas das vezes aquele é atribuído erradamente."

Se algum dia alguém te disser que o teu trabalho não é de um profissional, lembra-te:

"Amadores construíram a Arca de Noé e profissionais construiram o Titanic".

"Procura ser uma pessoa de valor, em vez de uma pessoa de sucesso".

Via Ana Sofia, Amiga dos momentos difíceis.

Continuam a lançar os dados.....