sábado, 21 de março de 2009

As solicitações actuais e a demissão do convívio


Não sei se o texto infra se passou ou não na realidade, pois tive conhecimento dele através de um fórum em que participo, mas pode bem sê-lo, pois é elucidativo de realidades quotidianas.

Uma professora pediu aos alunos que fizessem uma redacção na qual fizessem um pedido a Deus.
À noite, em casa, quando corrigia as redacções, a professora leu uma que a deixou muito emocionada e transtornada. O marido que estava a ver televisão, ouvindo-a a soluçar, perguntou-lhe o que tinha acontecido. Ela disse-lhe:

- Lê isto. Era a redacção de um aluno.

“Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me na televisão. Quero ocupar o lugar dela. Viver como vive a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta...quero que me ouçam e me levem a sério...quero alguma atenção. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. Quero que os meus irmãos brinquem comigo em vez de estarem ao computador. Quero sentir que a minha família deixe tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...Só quero viver o que vive qualquer televisão e qualquer computador.”

Naquele momento, o marido da professora disse:
- Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais'! E ela olhou-o e respondeu:
- Essa redacção é do nosso filho.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Julgamento triplo

Aflição e angústia sentimentos do ser humano

A notícia correu célere em toda a comunicação social, tinha acabado por morrer uma criança que havia ficado esquecida dentro de uma viatura. Ao sol, a bebé tinha desidratado e falecido.
Este acontecimento deve fazer-nos interrogar sobre que sociedade é esta que nos escraviza e domina ao ponto de nos fazer subverter desta maneira prioridades absolutas. Que sociedade é esta que tem colocado, por inúmeras vezes, o emprego e a carreira profissional à frente de tantas outras coisas de ordem social, pessoal e até íntima. Tantas vezes ouvimos figuras públicas proclamar, em alto e bom som, e com toda a naturalidade, que não podiam, naquela altura casar, ter filhos ou dar a assistência que o pai ou a mãe reclamavam, pois a carreira exigia-lhe toda a entrega e consumia-lhe todo o seu esforço e tempo.

Claro que no acidente sub judice nada nos leva a pensar que tenha sido algo parecido com aquela actuação e a errada ordenação de valores que tenha estado na sua origem. [Fala-se num primo afastado do senhor Alzheimer que por ali passando impôs o esquecimento, a homem ainda moço]. Terá sido.

Seja como for, o sofrimento do pai e da mãe merecem-nos a nossa compaixão, respeito e até solidariedade, pois muito deve ser o desgosto e atroz o tormento do pai que se sente culpado na morte do seu filho querido. Muitas vezes se terá arrependido de ter saído de casa nesse dia, de não ter parado no infantário, de não ter destinado mais tempo ao seu bebé, muitas vezes terá batido no peito suplicando perdão. Muitas irão ser as noites sem dormir atormentado por uma culpa que a sua consciência lhe não vai dar tréguas. Vai ser o seu grande e primeiro julgamento, o da sua própria consciência que lhe imporá pena bem pesada e lhe trará consequências para toda a sua vida individual e familiar. Interrogo-me como será, doravante, a relação com a mãe da criança, com a lembrança sempre constante e a pairar em todos os actos do casal. Lembrarem-se que tiveram um filho que morreu bebé, será motivo de sofrimento, mas recordar os contornos em que o foi, será de uma dimensão tal, que não o conseguimos adivinhar.

Àquele julgamento, soma-se o da praça e opinião pública, até ao da mais pequena tertúlia de vizinhos ou amigos. A condenação também aí já é certa e continuará a sê-lo, pois não há contenção verbal nas massas que se comportam, nestes casos ou de similitude próxima, como herdeiros sedentos da barbárie do circo romano, e os próprios jornalistas correram também a atirar a primeira pedra, sem prévia auscultação e reflexão sobre a caixa de Pandora que abriam.

Por último, à agonia, aflição e desgosto do pai e daquela família, somar-se-á, inelutavelmente, o da aplicação da justiça dos homens e, pelo que veio publicado nos jornais, o Ministério Público irá acusar o pai por homicídio por negligência, que no caso de grosseira, tem o seu limite em 5 anos de prisão.

Não é nem foi minha pretensão julgar, condenando ou absolvendo, mas deixar apenas algumas considerações de cariz humano, sendo certo que todas aquelas justiças se estão e vão cumprir, cada qual, no seu tempo próprio. Contudo, não posso deixar de dizer de forma vincada que reprovo veementemente o esquecimento e o que o poderá ter originado, mas com a mesma veemência, dizer que são muitos castigos para um homem e cada qual o mais gravoso. Por mim, perfilar-me-ia como Egas Moniz, penitenciando-me, se o castigo maior e profundo não estiver já a ser sofrido.

domingo, 15 de março de 2009

Os benefícios da gratidão

Sendo este blogue um espaço de reflexão, decidi que era o momento propício para vos falar de algo que li há pouco e que para mim é novo. Não tão novo como parece à primeira vista, pois são aspectos que todas as pessoas vão dando conta no seu dia-a-dia.
O investigador Robert A. Emmons acaba de publicar um livro, baseado na chamada Psicologia Positiva:”Obrigado”. Nele, aborda a questão da gratidão como tarefa árdua, mas com inúmeros benefícios. Aqui, a palavra “obrigado” é sinónimo de gratidão, desde que seja assumida e expressa com honestidade. Nas suas investigações concluiu que a prática da gratidão traz inúmeros benefícios, incluindo um sono melhor, maior optimismo, mais humor e energia e melhor relacionamento com os outros.
Trata-se, em suma, de esforço e de disciplina para encararmos os momentos menos bons da vida. Diz-nos este estudioso que “quando as pessoas são gratas, elas experimentam uma energia calma, sentem-se mais alerta, mais vivas, mais interessadas, mais entusiasmadas”. A gratidão funciona como um antídoto para o stresse: as pessoas gratas têm menor tendência para sentir inveja, raiva, ressentimento, arrependimento e outros sentimentos menos positivos. Na sociedade consumista em que vivemos, é uma necessidade imperiosa que cultivemos o saber reconhecer o que de bom há no meio das agruras, de modo a não sermos espezinhados por tudo o que se passa à nossa volta (de forma desenfreada e competitiva). Podemos escolher ser gratos, mesmo quando as nossas emoções estão turvadas pela mágoa e pelo ressentimento. É uma questão de prática e de concentração.
Este pensar positivo é baseado na psicologia humanista que visa promover a qualidade de vida, empreendendo uma jornada de autotransformação. A psicologia positiva procura explorar forças até então desconhecidas na mente humana, com a finalidade de compreender o seu alcance e os efeitos que pode provocar, superando antigos preconceitos, abordando temas anteriormente desprezados pela nossa cultura, tais como a aptidão para amar, os dons interpessoais, a sensibilidade para o belo, o talento, a sabedoria.
Os psicólogos desta corrente actualíssima da psicologia indicam alguns caminhos para que se potencie esse humor, essa gratidão pela vida. Deixo-vos alguns:
- no final de cada dia, guarde alguns minutos para escrever três coisas que correram bem no seu dia e o motivo desse sucesso;
- semanalmente, escreva uma carta (ou mail…) a alguém, valorizando e apreciando positivamente a presença dessa pessoa na sua vida;
- crie o seu jornal da gratidão, escrevendo regularmente sobre o que está grato por existir na sua vida (pessoas, situações, momentos…);
- no seu dia-a-dia, pratique actos de altruísmo. Pequenos gestos em prol dos outros ajudam-nos a sentir mais positivos…

A gratidão é “a mais agradável das virtudes e o mais virtuoso dos prazeres”
André Comte-Sponville, filósofo francês

sexta-feira, 13 de março de 2009

Recursos e Percursos - para avaliação de desempenho de professores de Isilda Lourenço Afonso
Plátano Editora: 2009
Esta obra nasce das dificuldades sentidas no terreno como professora, mas também como formadora no âmbito da Avaliação de Desempenho dos Docentes (ADD).

De uma forma geral, tentámos focar a nossa atenção nos aspectos mais pragmáticos do avaliado e propor algumas pistas para instrumentos essenciais numa avaliação que se deseja equitativa, honesta e justa.

Os percursos relacionam-se com os momentos cruciais deste processo e os recursos constituirão e concretização e organização da prática lectiva e de todo o trabalho nas diferentes funções que os docentes desempenham no quotidiano.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Honestidade

Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade.
Sócrates (filósofo grego)

Prémio Literário da Ordem dos Advogados

Vencedor do Prémio Literário da OA 2009

O prémio literário da Ordem dos Advogados, ano 2009, foi atribuído na modalidade de narrativa, à obra intitulada “À sombra de Mestre Aquilino”, da autoria do advogado Manuel Lima Bastos. A entrega do prémio, assim como o lançamento do livro terão lugar no dia 19 de Maio durante as comemorações do Dia do Advogado, na cidade de Portalegre. Integraram o júri desta edição José Manuel Mendes, Henrique Mota e José Manuel de Vasconcelos. O júri fundamentou a sua decisão na “qualidade da escrita, fluente e sugestiva, proporcionando uma leitura agradável e informativa, bem como no excelente domínio e conhecimento da matéria tratada”. Manuel Lima Bastos está inscrito na Ordem dos Advogados desde 1977, exercendo advocacia na comarca de Santa Maria da Feira. Candidatou-se ao prémio literário da OA 2009 sob o pseudónimo de Frei Jorge de S. Remo.

Continuam a lançar os dados.....