sábado, 7 de março de 2009

…”Político de valores (…) com apego à liberdade de espírito e apelo sério à responsabilidade e ao respeito mútuo, um dos pais fundadores da democracia portuguesa, para quem a política era serviço público.”
(Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas)

Natural de Lamego e licenciado em Direito, Fernando Monteiro do Amaral foi Vereador da Câmara Municipal de Lamego, Presidente da Assembleia Municipal de Lamego e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.Exerceu funções de Deputado à Assembleia Constituinte e de Deputado à Assembleia da República nas I, III, IV, V e VI Legislaturas. Ocupou a pasta da Administração Interna e foi posteriormente Ministro adjunto do Primeiro-Ministro, nos 7.º e 8.º Governos, respectivamente. Exerceu as funções de Vice-Presidente e Presidente da Assembleia da República durante três mandatos (1983-1987). Entre 1985 e 1987 foi designado para o cargo de Conselheiro de Estado.
Nos dois anos seguintes foi Deputado à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, da qual foi também Vice-Presidente.Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
( Retrato do Dr. Fernando Amaral, Presidente da Assembleia da República de Outubro de 1984 a Agosto de 1987, da autoria de Fernando Alves de Sousa, 1997)
http://www.parlamento.pt/VisitaVirtual/Paginas/BiogFernandoAmaral.aspx

sexta-feira, 6 de março de 2009

De Lamego para o Mundo - Homenagem

A Assembleia Municipal recordou o cidadão e político Dr. Fernando Monteiro do Amaral, ex-presidente da Assembleia da República, no pretérito dia 27 de Fevereiro, pelas 11h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. O salão esteve repleto para ouvir os representantes dos partidos e os presidentes da Câmara e Assembleia Municipal, o Vice-presidente da Assembleia da República e o Representnate do Colégio dos Advogados da Comarca de Lamego, prestarem sentidos e devidos tributos de homenagem aquele saudoso grande vulto do humanismo. Dos discursos proferidos, publicamos este último, com a devida vénia, e a respectiva gentil anuência.
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"Permitam-me saudar esta distinta Assembleia Municipal de Lamego na pessoa de V. Exa., Sr. Presidente, Sr. Dr. José Mário Ferreira de Almeida.
Exmo. Sr. Vice-Presidente da Assembleia da República, Sr. Dr. Guilherme Silva.
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lamego e respectiva vereação.
Exmos. Srs. Deputados da Assembleia da República.
Exmos. Srs. Deputados da Assembleia Municipal.
Exmo Sr. Bispo de Lamego.
Caros Colegas
Cidadãos Lamecenses
Excelências
A delegação de Lamego da Ordem dos Advogados e o colégio de colegas que a mesma representa, confere a V. Exa., senhor presidente da assembleia municipal, um enorme agradecimento por nesta nobre casa, e neste especial evento, ter endereçado honroso convite para homenagear tão insigne cidadão do mundo, o Sr. Dr. Fernando Monteiro do Amaral.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, Caros Colegas
Humildemente reconheço que, eventualmente, me possa claudicar legitimidade para falar sobre a dimensão do homem e do estadista, aqui homenageado.
Outros, tenho a absoluta certeza, com mais apuro, aprumo literário e conhecimento desta personalidade, do que a minha pessoa, em melhores condições estariam para prestar o presente tributo.
Basta apenas lembrar as sentidas homenagens que li nos jornais locais e nacionais, cujos escribas, além de amigos e pessoas muito próximas do sr. Dr. Fernando Amaral, tudo, mas tudo disseram sobre tão invulgar pessoa.
(…)
As breves palavras que vos direi, longe de serem alcandoradas ao epíteto de “discurso”, pretenderão apenas emprestar um singelo símbolo a uma pessoa que tanto deu ao país e à cidade de Lamego.
Permitam-me, assim, colocar como título ou sublinhado, o seguinte:
A palavra!
O Sr. Dr. Fernando Amaral de entre outras inúmeras e nobres funções que exerceu, foi professor, advogado, escritor, ministro de estado, conselheiro da Europa, vereador, presidente da assembleia municipal de Lamego, presidente da assembleia da republica.
A sua bela obra e o legado que nos deixou foi isso mesmo: a palavra.
È através dela e do seu uso que se cria a obra.
È através dela que se cria a personalidade.
È através dela que se cria o respeito e a admiração.
Não foi só o seu genético dom de magnífico orador que enformou todo o seu trajecto de homem público, de ilustre causídico, e de insigne estadista.
Todos sabemos que as palavras dele jorravam como uma nascente de água límpida, certeiras, mas muito sentidas, e que o silêncio do ouvinte constituiam o melhor elogio à sua especial condição de tribuno.
Enquanto advogado, vinham gentes de toda a região, que não tendo qualquer ligação aos litigantes, se dirigiam ao pretório de Lamego só para ouvir as alegações do Sr. Dr. Fernando Amaral.
Foi com a palavra que amainou tempestades, foi com a palavra que fez imensas amizades, foi com a palavra que conquistou consensos, foi com a palavra que transmitiu as suas mais profundas convicções cristãs e no ideário do humanismo que praticou, no exercício férreo da consolidação da democracia, e no auxílio, dentro do seu mister de advogado, que buscou e ajudou a fazer justiça.
O seu mealheiro de vivência fez dele personalidade de vulto em Portugal e no mundo.
Foram muitas as vezes que pessoas anónimas e amigas o procuravam para um simples conselho ou um caminho a seguir.
Disso sou testemunha quando (…) com a sua genuína serenidade, me disse: “seja sempre tolerante, persiga as suas convicções respeitando a diversidade, e acima de tudo seja um bom ouvinte”.
Não é, assim, por mero acaso, que todos os quadrantes políticos lhe devotaram admiração, respeito, e unanimidade de admiração pelas qualidades inatas de pessoa que acima de tudo prezava o consenso e a ética dos valores da condição humana.
A dimensão deste homem viveu em dois mundos, o da natureza e o do espírito, que nele se complementaram.
O último, constituído apenas pelo homem e por tudo o que como manifestação do seu espírito e em que encarnou valores, é a realização ancestral e perene do seu ser.
A necessidade incessante de busca da justiça e a segurança como definidores de uma vontade perpétua e constante de dar a cada um o seu direito, constituem a emanação da essência de tão grande vulto.
Pode-se dizer que a realização do seu ser, irmanado nas preocupações do seu semelhante, na procura de um mundo melhor, foi a grande obra do Sr. Dr. Fernando Amaral, feita palavra.
Excelências
Do Sr. Dr. Fernando Amaral apenas desapareceram o conjunto de moléculas que constituem o corpo humano.
Mas a sua riquíssima herança é uma celebração e um hino á vida!
E tudo por causa da sua palavra.
O Sr. Dr. Fernando Monteiro do Amaral foi um homem da PALAVRA e um homem
DE PALAVRA!
Disse."

(José Rodrigues Lourenço, Delegado da Ordem dos Advogados da Comarca de Lamego)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ai a matemática

"Num processo de execução e a requerimento do Executado, o Sr. Dr. Juiz deferiu o pedido de redução do valor da penhora do salário de 1/6 para 1/5.
Desconfio que se o Executado tivesse sido ainda mais simpático, o Sr. Dr. Juiz reduziria ainda mais, para 1/4 ou mesmo para 1/3..."
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O erro mora aonde, no advogado do executado, no sr. Juiz, em lado algum.

domingo, 1 de março de 2009


“Ser individualista é um bem, é poder escolher, é ser autónomo, é ter liberdade. Outra coisa, é ser egoísta e autista.”

Autor: Filomena Mónica , Maria
Fonte Notícias Magazine (DN)

Ainda o egoísmo, agora em Pessoa


Também Fernando Pessoa escreveu sobre o egoísmo. Para ele, o egoísmo circunscreve-se à sua dedicação às artes da escrita que o retiram da convivência social e da preocupação com as coisas mais comuns e banais do dia a dia. Ainda assim, não se considera mais egoísta que os outros, sobretudo comparativamente com os seus pares nas artes e nas letras. Deixou- nos:
Egoísmo relativo

Por mim, o meu egoísmo é a superfície da minha dedicação. O meu espírito vive constantemente no estudo e no cuidado da Verdade, e no escrúpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade. Reconheço que o sentido intelectual que esse Serviço da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifestações que em geral revelam o espírito humanitário. Os actos de caridade, a dedicação por assim dizer quotidiana são cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a negação delas.
Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras. Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.
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Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose'

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Homem - Um Ser Egoísta


Na senda do que antes dissemos, o excerto seguinte, retirado de A arte de insultar, é bem elucidativo do pensamento de Schopenhauer sobre o egoísmo. Pela nossa parte, queremos muito não crer na generalização, enfim, fica a transcrição:

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O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. [...] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência.
Desse modo, todas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção. Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: 'Tudo para mim e nada para os outros' é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.

Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'

Continuam a lançar os dados.....