terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cogitando os conceitos


As noções, os axiomas, as regras ou os conceitos ajudam a explicitar a exteriorização do nosso pensamento. Ajudam a concretizar e a delimitar as nossas ideias, face a interpretações dúbias, simuladas ou apenas próximas. Daí, deixarmos os conceitos básicos e simples seguintes (de entre muitos outros mais elaborados e mais complexos).



Ética

De uma forma muito simplificada podemos definir o termo ética como o ramo da filosofia que se preocupa com o que é moralmente bom ou mau, certo ou errado, justo ou injusto. Podemos também dizer que ética e filosofia da moral são dois conceitos sinónimos. A ética é uma disciplina que sempre fez parte da reflexão filosófica e tem procurado estudar a moral, o que deve ser, a qualificação do bem e do mal, a melhor forma de actuar no interior de uma colectividade de homens. Assim, a ética avalia os costumes, questiona-se sobre a sua universalidade, aceita-os ou recusa-os, elege quais são as acções sociais moralmente válidas e quais não o são.
(in JESUS, Maria Margarida Nascimento – Ética y Actividad Empresarial, Cultura y Valores Éticos en las Empresas Algarveñas. Tese de Doutoramento, Universidade de Huelva, 2001, p.11)



Moral

ETIM.:do latim mores, "costumes" e principalmente de moralis, na obra de Cícero, que traduz assim o grego érbikos, "relativo aos costumes", "moral".
Sentido comum: conjunto de regras de conduta e de valores no seio de uma sociedade ou de um grupo (ex. a "moral cristã").
Filosofia: doutrina lógica indicando os fins que o homem deve procurar atingir e os meios para o conseguir (ex.: a "moral estóica").
(in Dicionário Prático de Filosofia. Lisboa, Terramar, 1999, p.263.)



Valores

ETIM.: latim valor, de valere, "ser bom portador", e depois "valer".
Sentido comum: qualidade das coisas, das personagens, das condutas, cuja conformidade em relação a uma norma ou a sua proximidade em relação a um ideal tornam particularmente dignas de estima.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ética Para Um Jovem

Tendo lido há alguns anos o livro de Fernando Savater, "Ética Para Um Jovem", e ao ler estas mensagens sobre valores, ética,etc., achei por bem reflectir convosco alguns aspectos interessantes desta obra que todos deveriam aceder, quer sejamos pais, professores ou filhos.
A obra é um diálogo imaginado pelo autor perante um jovem a quem transmite ensinamentos sobre o que é a moral, a ética, a comunicação, a linguagem.
Num breve resumo, aquilo que me ficou e posso partilhar é uma síntese da realidade que nos rodeia e nos faz pensar. A ética é a arte de viver, é a reflexão sobre o porquê de aceitarmos como válidas as atitudes, é a capacidade de sermos humanos, é a aprendizagem cultural e o conseguirmos compreender o significado do que nos rodeia: reconhecermos o outro.
A linguagem tem um papel importante, por ser o veículo de todas as ideias e valores que sustentam o comportamento, influenciando o modo de funcionamento das relações sociais e afectivas.
Neste tipo de relacionamento humano é crucial a liberdade que nos permite escolher o que é bom, o que é mau, verdadeiro, falso... Todas as decisões transportam a carga emocional, a educação, os valores e vivências que fazem de todos nós responsáveis dos nossos actos e influentes naqueles que que connosco convivem
Finalmente, Savater conclui este diálogo falando de algo que temos esquecido, ms não vou deixar de vos transmitir:"...a hospitalidade - entendida eticamente - começa por nos preocuparmos com a boa manutenção desta "nave" interplanetária a bordo da qual viajamos pelo cosmos todos juntos... ainda que o façamos em círculo (2005, p.158)".

Isilda Lourenço Afonso

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Stonehenge - O Templo místico


Hoje, como faço todos os dias fui ver os meus emails... notícias de amigos, mais informações escolares, algumas mensagens, e ... um convite do COGITAR para ser membro. Li a mensagem duas vezes!!

Acreditem que fiquei muito feliz pelo convite e pela honra de poder participar e colaborar com duas pessoas por quem tenho imenso apreço. Uma palavra muito especial para a Isilda que, desde os primeiros dias em que nos conhecemos, me acarinhou... me tem ajudado e acompanhado nas minhas caminhadas profissionais. Não sei se mereço ser membro do cogitar mas prometo que vou tentar, sempre que possível, partilhar os meus poucos conhecimentos e as minhas reflexões. Agradeço a oportunidade.

"Stonehenge é um sítio arqueológico pré-histórico localizado nas planícies de Salisbury, Wiltshire na Inglaterra. Património da Humanidade, na relação da Unesco. A estrutura principal é formada por dois anéis de monolitos de pedra, construídos a partir de 3100 a.C., provavelmente para executar rituais religiosos. O anel externo tem cerca de 86 metros de diâmetro e o interno, 30 metros, em média. A arquitectura dos anéis tem relação com os movimentos do Sol e da Lua e alguns monolitos possuem cerca de 9 metros de altura. Stonehenge recebe cerca de 700 mil visitantes por ano."

Faço muitas leituras, ditas lúdicas, por puro prazer... gosto especialmente do género high fantasy e tudo o que tenha a ver com a lenda do Rei Artur, druidas..., desde escritoras como Marion Zimmer Bradley, passando por Juliet Marillier, entre outros.
Stonehenge é um dos símbolos dessa literatura fantástica e sendo património da Humanidade, não podia neste primeiro post, deixar de partilhar com os amigos do Cogitar, estas imagens fantásticas...

"Stonehenge fascina tanto pela sua rude beleza como pelas forças ocultas que emana"

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

3º cogito

Foi em 10 de Dezembro de 1948, que a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH) reconhecendo a igual dignidade de todos os seres humanos, estatuindo: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos (...) sem distinção alguma, nomeadamente de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, de nascimento ou de qualquer outra situação..."
Esta regra e outros compromissos, são o corolário da reafirmação e proclamação da fé nos direitos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana. Por ela, os países membros se comprometiam a a favorecer o progresso social e a instaurar condições que a favoreçam e concretizem. Foi nessa decorrência, pela natureza do conteúdo e alcance universal que a Declaração tem servido de inspiração de muitas leis fundamentais de povos emergentes ou por via de revisões constitucionais.
Concretamente, o artigo 13º estatui: “ 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. "
Vem tudo isto a propósito da actual crise económica mundial que assola, sem excepção, todos os Estados e as suas respectivas economias, que agora sabemos débeis e numa interdependência global. Esta crise, de consequências ainda imprevisíveis e de duração indeterminada, no dizer dos estudiosos, permitiu já derrogações daqueles princípios que julgávamos sedimentados e afloramentos nefastos dos mais baixos sentimentos humanos. Vêm à lembrança os relatos e leituras sobre os nossos emigrantes dos idos anos 60 com as agruras, opressões e desconsideração humana a que foram sujeitos por essa Europa. Com o advento das democracias e depois de todo o movimento integrador europeu, acreditava-se que estariam definitivamente afastados aqueles instintos sórdidos de racismo e de xenofobia, sem escamotear, claro, pequenos focos de resistência, de cariz extremista, ou figuras como Jean-Marie Le Pen, tidos no espectro político-social como residuais e acantonados.
Porém, temos de confessar que não é bem assim, pois ainda agora nos chegam motivos de verdadeira preocupação e logo, da terra da Magna Carta e da Bill of Rights, consubstanciados em pretensos movimentos laborais, que formando piquetes à entrada dos locais de trabalho impediam o acesso a trabalhadores não naturais da Inglaterra, paradoxalmente, portugueses, espanhóis e italianos, todos pertencendo a um espaço compreeendido no acordo de schengen e à mesma Comunidade Europeia, que tem entre os seus primeiros princípios o da livre circulação de pessoas.
São, sem dúvida, manifestações de perda de identidade e razão, de um egocentrismo atroz, que menoriza um povo e que só podem causar a mais profunda e veemente reprovação e repulsa. Dirão alguns, que devido ao proclamado estado calamitoso da economia, às falências nos quatro cantos do mundo e aos despedimentos em massa que se vêm verificando, os Estados tenderão a fechar-se, reflexamente ratificando aquelas atitudes. É certo que, economicamente, começa de novo a convocar-se Keynes para justificar a intervenção do estado na economia, enquanto todos pretendem exportar mais do que o que importam, como se isso fosse possível para todos. Mas também tem sido correcto afirmar-se que os imigrantes têm sido os motores de impulso de alguns sectores de actividades estagnadas seja pela qualidade da mão-de-obra, pelos baixos salários praticados ou a simples recusa dos autóctones no desempenho dessas tarefas. E isto não pode, nem deve, ser votado ao esquecimento.
Já se ouviu também alguém lançar mão do brocardo “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”, para justificar a incapacidade futura dos governos em susterem os movimentos xenófobos que perfilham o fechamento das suas fronteiras à imigração. Apetece dizer que é bem verdade, que trabalhamos para comer e dar de comer aos nossos e na busca dessa comida esquecemos depressa o alimento da alma e da consciência e vêm ao de cima os mais básicos e primários instintos que reconhecemos como próprios dos demais animais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

2º cogito

A ÉTICA E VALORES QUE PARTILHAMOS
Existe cada vez mais sedimentada a ideia de que é frequente a falta de ética e de valores na nossa sociedade. Essa ausência de valores e de ética nos procedimentos, reflecte-se não só na filosofia de vida que norteia a nossa prática quotidiana, mas de modo geral na sociedade, como um todo, nas mais variadas esferas: política, industrial, comercial e social.
A honra e a palavra dada, outrora instrumentos fidedignos, surgem hoje como construções arcaicas. De um modo geral, a ética, a cultura e os valores cairam em total desuso nas práticas dos cidadãos, não obstante se continuarem a empregar no contexto da mensagem escrita.
Releva-se o poder do dinheiro e da influência pragmática em detrimento dos saberes fundamentados. Impera a busca individual de vantagens enquanto, simultaneamente, cresce a consciência social da impunidade gozada pelos poderosos.
Antes a família e a escola eram tidas como os pilares e sustentáculo da ética e dos valores agregadores da sociedade. Hoje, são vistas como simples reflexos passivos da sociedade em geral.
Ora, sempre tive para mim que malbaratar princípios pode ser feito num ápice, num processo célere e socialmente inconsciente, enquanto que a assumpção consciente, a prática, a defesa da ética procedimental e dos valores, só a muito custo e após muito tempo pode ser reversível.
Urge por isso, quanto antes, que a população tome consciência dessa ausência de critérios éticos na vida do dia a dia. Urge que aquelas instituições basilares, família e escola, sejam acarinhadas e dotadas mecanismos específicos de educação ética.
Formular uma educação ética e de valores não é fácil. Os Estados democráticos autoritários, o proselitismo das religiões, o laicismo por oposição, e as solicitações das economias actuais, constituem factores que dificultam essa formulação, mas não se pode desistir de buscar um caminho para formar a consciência da juventude, alicerce de uma sociedade de justiça e liberdade.
Aquele é um trabalho colectivo. Individualmente, tente cada um fundamentar a sua conduta na integridade, na responsabilidade e no respeito pelos outros. O primeiro princípio será estar em conformidade, em qualquer lugar e circunstância, com as leis, regulamentações, os usos e os costumes, ligadas às nossas actividades, deste modo, estaremos a fazer o percurso necessário da Ética em geral à "nossa ética" particular.
Manuel Monteiro Afonso

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

1º cogito

Em sede das penas disciplinares o princípio da proporcionalidade postula a adequação da pena imposta à gravidade dos factos apurados, por forma a que a medida punitiva a aplicar seja aquela que, sendo idónea aos fins a atingir, se apresente como a menos gravosa para o arguido, em decorrência também do principio da intervenção mínima ligado ao princípio do "favor libertatis".
A violação ou desrespeito ao princípio da proporcionalidade por incorrecta escolha, definição ou aplicação da pena disciplinar ao caso, mercê de o facto ilícito dever ser sancionado com a pena de repreensão escrita e não com a pena de multa, não se traduz, a nosso modesto ver, nem se integra no vício de violação de lei por desrespeito ao princípio da proporcionalidade, antes envolvendo outro vício de violação de lei que se traduz na infracção de cada um dos normativos que define, regula e integra as penas em confronto.

Continuam a lançar os dados.....