quarta-feira, 23 de junho de 2010


"O romancista canadiano Howard Engel levantou-se, fez o pequeno almoço e apanhou o jornal à porta de casa.

Um instante depois, olhou para a página principal do Toronto Globe and Mail e teve a sensação de estar a ler um jornal “em servo-croata ou coreano”, uma língua que nunca tinha visto e não reconhecia. Apesar de ter demorado a perceber, Engel tinha perdido subitamente a capacidade para reconhecer as letras.

Este quadro, conhecido como “alexia” ou “cegueira das palavras”, caracteriza-se pela perda total da capacidade de reconhecer visualmente a escrita e, no seu caso, tinha sido causado por um ictus cerebral. Uma vez superado o choque, o dano cerebral permaneceu e Engel pensou que a sua vida como escritor de romances policiais tinha terminado para sempre.

No entanto, e para sua própria surpresa, Engel não tardou a descobrir que tinha perdido a sua faculdade de ler mas não a sua capacidade para escrever. Se descrevia com a mão o traço de uma letra sobre um papel, por exemplo, era capaz de entender o seu significado e recuperar o sentido da escrita.

Depois daquele episódio, Engel foi capaz de escrever um par de livros, num dos quais descreve a peripécia de um personagem que passa pela mesma situação (The Man Who Couldn't read). Retirado daqui"


sexta-feira, 18 de junho de 2010


O senhor deputado da nação que por não gostar das perguntas que o jornalista lhe fazia e, porventura, arrependido do que já havia dito, surripiou os gravadores, meteu-os ao bolso e foi embora, não pára de surpreeender.

Nessa altura, alegou acção directa para se apropriar dos gravadores e não os devolver. Porventura, por desconfiar que os gravadores conteriam expressões com a sua voz!!

Agora, veio sufragar a iluminada ideia de duas colegas de bancada, de reduzir os feriados, e acabar com as "pontes".

Até aí, seriam apenas opiniões...

Mas o deputado que pensa muito, mas que não deve ser antes de falar, como se viu no episódio dos gravadores, disse logo: -"O 25 de Abril pode ser comemorado no dia 26 ou 27, o que importa é comemorar a liberdade".

Depois desta, só nos resta, respirar de alívio, pois ter-se-á contido ao ponto de não dizer que o 25 de Abril, também poderia ser comemorado no dia 24 de Abril. (nem que fosse pela carga conotativa).

quarta-feira, 16 de junho de 2010


Em tempos de crise, as famílias restrigem as despesas e algumas há que deixam de pagar a prestação e até vendem alguns bens, para sobreviverem. (esta expressão é uma generalidade, pois sabemos que também as há que não dão conta da crise). Diz-se, "vão-se os anéis, salvem-se os dedos".

Também os Estados não passam ao lado da crise e, para combater os seus défices e solver dívidas externas, vendem bens e privatizam Serviços e Empresas, como sabemos. Para uns demasiado, para outros nem tanto.

A este propósito, cito uma passagem de Saramago, que tem tanto de interessante e actual, como de peculiar. (e vai sem ofensa)

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148

quarta-feira, 9 de junho de 2010


O Habeas corpus, é uma garantia constitucional que defende o cidadão contra o abuso de poder por virtude de prisão ou detenção ilegal. Diga-se que não é das figuras jurídicas mais utilizadas em Portugal, porventura, pela sua complexidade e por ser das que menos têm tido provimento, quando arguidas.
Mas esta locução latina, embora figura do mundo jurídico, pode-se dizer que é hoje comummente usada em múltiplos contextos.


Teve a sua origem numa história curiosa.

Na Inglaterra, com o desaparecimento do rei Richard I (Ricardo Coração de Leão), dado como desaparecido na terceira Cruzada, tomou o poder John Lackland (João sem Terra). Este, desde o início, foi tido como usurpador da coroa e, segundo reza a história, com grande tendência para abusar do poder (daí ter sido retratado como vilão em histórias e lendas celebrizadas em filmes como o Ivanhoe ou Robin Hood).
Para além de esmagar o povo com impostos, prendia todos os seus opositores, sem culpa formada, enviando-os para as catacumbas da torre de Londres, onde acabavam por desaparecer sem deixar rasto.
Depois de várias revoltas, foi então conseguido que o rei se sujeitasse à consagração na Magna Carta do habeas corpus (que tenhas o teu corpo).
A partir daí, era possível aos familiares dirigirem-se à torre de Londres e inquirirem habeas corpus, pelo que o carcereiro era obrigado a mostrar o corpo, vivo ou morto, do acusado.

sexta-feira, 4 de junho de 2010


O escritor e ensaísta, Michel Eyquem de Montaigne, a mais de quinhentos anos de distância ensina-nos como devemos encarar a vida e os problemas que actualmente nos atormentam. Disse ele: "A felicidade está em usufruir e não apenas em possuir.". Assim me parece que hoje, porventura mais que noutros tempos, releva o usar e fruir o que nos é disponibilizado, mais do que o obter e ter. É que, em tempos de crise, diz-se e passe o exagero, os anéis são malbaratados e os livros cedem o lugar ao alimento. Como também se diz, que são tempos propícios a mudanças bruscas de fortunas, muitos que empobrecem, alguns que enriquecem, muito rapidamente.

Seja como for, nestes ou noutros tempos, ter bens e ter conhecimentos, exaltam o ego e a presumivel felicidade. Porém, ter muitos bens ou saber muito, poderão não passar de meios para servilmente partir em busca de mais, e mais, incessantemente... e, mais uma vez, Montaigne sentenciava: "...o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Feriado

Procissão Corpus Christi Amadeu de Sousa Cardoso, 1913, óleo sobre madeira, 29 x 50,8 cm, Centro de Arte Moderna
Fundação Calouste Gulbenkian , Lisboa

Interessante explicação acerca de moral e ética