sábado, 28 de março de 2009

Questões de Justiça



«e, correndo os pleitos, por não se poderem evitar de todo, venham a rabulice, a trapaça, a apelação, a praxe, os ambages, para que vença tarde quem por justa justiça deveria vencer cedo, para que tarde perca quem deveria perder logo».
In Memorial do Convento, José Saramago

Uma das críticas que amiúde se ouvem acerca da justiça prende-se com a morosidade na aplicação da justiça aos casos concretos, a demora em encontrar e sancionar os culpados, a demora na resolução dos conflitos civis que lhe são presentes, a existência de demasiadas garantias de defesa. Ora se culpam os funcionários e juízes por desleixo na tramitação processual, ora os advogados por usarem e abusarem de expedientes dilatórios em vista do retardamento da decisão. Foi pensando nestes, (advogados e as partes que representam) e não em pretenso garantismo excessivo do ordenamento jurídico português, que Saramago escreveu a frase supra, paradoxalmente das mais transcritas por aqueles destinatários nos seus articulados e alegações de direito. Quem diria.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Cogitando o passado III

No meu tempo de escola, enquanto tive a disciplina de Inglês por três anos, o Francês acompanhou-me ao longo de todo o liceu. Fiquei sempre, por isso, um incondicional da Língua Francesa. Foi sempre para mim o símbolo de uma língua romântica a companhar Paris e o povo de la liberté, fraternité et igualité. Recordo, dessa época, o manual que continha parte dos versos da canção popular francesa "Au clair de la lune", que tinhamos de decorar e trauteei ao longo dos anos, e será porventura a única que saberia hoje declamar. A recordação agora, surgiu por acaso, ao divagar pelo youtube, encontrei-a declamada de forma muito bonita, que aqui deixo, precedida dos versos:

Au clair de la lune,
Mon ami Pierrot,
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot.
Ma chandelle est morte,
Je n'ai plus de feu,
Ouvre-moi ta porte,
Pour l'amour de Dieu.
Au clair de la lune
Pierrot répondit :
Je n'ai pas de plume,
Je suis dans mon lit.
Va chez la voisine,
Je crois qu'elle y est,
Car dans sa cuisine
On bat le briquet.
http://www.youtube.com/watch?v=64Rij7vM5Jc

terça-feira, 24 de março de 2009

Para Reflectir... caso vos apeteça

"Um agricultor coleccionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha esse determinado cavalo e atazanou-o até conseguir comprá-lo.

Um mês depois o cavalo adoeceu e ele chamou o veterinário: - Bem, o seu cavalo está com uma virose; é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu regressarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.

Alí perto, o porco escutava a conversa toda... No dia seguinte deram o medicamento ao cavalo e foram-se embora.
O porco aproximou-se do cavalo e disse: - Força, amigo! Levanta-te daí, senão serás sacrificado!!!

No segundo dia, deram-lhe o medicamento e foram-se embora.
O porco aproximou-se do cavalo e disse: - Vamos lá amigo, levanta-te senão vais morrer! Vamos lá, eu ajudo-te alevantar... Upa! Um, dois, três! No terceiro dia deram-lhe o medicamento e o veterinário disse: - Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

Quando se foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e disse: - É agora ou nunca, levanta-te depressa! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, agora mais depressa, vá... Fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa!Upa!!! Tu venceste, Campeão!!!
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo a correr no campo e gritou:
- Milagre!!! O cavalo melhorou! Isto merece uma festa... para comemorar, vamos matar o porco!!!

Reflexão: Isto acontece com frequência no ambiente de trabalho e na vida também. Dificilmente se percebe quem tem o mérito pelo sucesso. Muitas das vezes aquele é atribuído erradamente."

Se algum dia alguém te disser que o teu trabalho não é de um profissional, lembra-te:

"Amadores construíram a Arca de Noé e profissionais construiram o Titanic".

"Procura ser uma pessoa de valor, em vez de uma pessoa de sucesso".

Via Ana Sofia, Amiga dos momentos difíceis.

sábado, 21 de março de 2009

As solicitações actuais e a demissão do convívio


Não sei se o texto infra se passou ou não na realidade, pois tive conhecimento dele através de um fórum em que participo, mas pode bem sê-lo, pois é elucidativo de realidades quotidianas.

Uma professora pediu aos alunos que fizessem uma redacção na qual fizessem um pedido a Deus.
À noite, em casa, quando corrigia as redacções, a professora leu uma que a deixou muito emocionada e transtornada. O marido que estava a ver televisão, ouvindo-a a soluçar, perguntou-lhe o que tinha acontecido. Ela disse-lhe:

- Lê isto. Era a redacção de um aluno.

“Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me na televisão. Quero ocupar o lugar dela. Viver como vive a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta...quero que me ouçam e me levem a sério...quero alguma atenção. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. Quero que os meus irmãos brinquem comigo em vez de estarem ao computador. Quero sentir que a minha família deixe tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...Só quero viver o que vive qualquer televisão e qualquer computador.”

Naquele momento, o marido da professora disse:
- Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais'! E ela olhou-o e respondeu:
- Essa redacção é do nosso filho.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Julgamento triplo

Aflição e angústia sentimentos do ser humano

A notícia correu célere em toda a comunicação social, tinha acabado por morrer uma criança que havia ficado esquecida dentro de uma viatura. Ao sol, a bebé tinha desidratado e falecido.
Este acontecimento deve fazer-nos interrogar sobre que sociedade é esta que nos escraviza e domina ao ponto de nos fazer subverter desta maneira prioridades absolutas. Que sociedade é esta que tem colocado, por inúmeras vezes, o emprego e a carreira profissional à frente de tantas outras coisas de ordem social, pessoal e até íntima. Tantas vezes ouvimos figuras públicas proclamar, em alto e bom som, e com toda a naturalidade, que não podiam, naquela altura casar, ter filhos ou dar a assistência que o pai ou a mãe reclamavam, pois a carreira exigia-lhe toda a entrega e consumia-lhe todo o seu esforço e tempo.

Claro que no acidente sub judice nada nos leva a pensar que tenha sido algo parecido com aquela actuação e a errada ordenação de valores que tenha estado na sua origem. [Fala-se num primo afastado do senhor Alzheimer que por ali passando impôs o esquecimento, a homem ainda moço]. Terá sido.

Seja como for, o sofrimento do pai e da mãe merecem-nos a nossa compaixão, respeito e até solidariedade, pois muito deve ser o desgosto e atroz o tormento do pai que se sente culpado na morte do seu filho querido. Muitas vezes se terá arrependido de ter saído de casa nesse dia, de não ter parado no infantário, de não ter destinado mais tempo ao seu bebé, muitas vezes terá batido no peito suplicando perdão. Muitas irão ser as noites sem dormir atormentado por uma culpa que a sua consciência lhe não vai dar tréguas. Vai ser o seu grande e primeiro julgamento, o da sua própria consciência que lhe imporá pena bem pesada e lhe trará consequências para toda a sua vida individual e familiar. Interrogo-me como será, doravante, a relação com a mãe da criança, com a lembrança sempre constante e a pairar em todos os actos do casal. Lembrarem-se que tiveram um filho que morreu bebé, será motivo de sofrimento, mas recordar os contornos em que o foi, será de uma dimensão tal, que não o conseguimos adivinhar.

Àquele julgamento, soma-se o da praça e opinião pública, até ao da mais pequena tertúlia de vizinhos ou amigos. A condenação também aí já é certa e continuará a sê-lo, pois não há contenção verbal nas massas que se comportam, nestes casos ou de similitude próxima, como herdeiros sedentos da barbárie do circo romano, e os próprios jornalistas correram também a atirar a primeira pedra, sem prévia auscultação e reflexão sobre a caixa de Pandora que abriam.

Por último, à agonia, aflição e desgosto do pai e daquela família, somar-se-á, inelutavelmente, o da aplicação da justiça dos homens e, pelo que veio publicado nos jornais, o Ministério Público irá acusar o pai por homicídio por negligência, que no caso de grosseira, tem o seu limite em 5 anos de prisão.

Não é nem foi minha pretensão julgar, condenando ou absolvendo, mas deixar apenas algumas considerações de cariz humano, sendo certo que todas aquelas justiças se estão e vão cumprir, cada qual, no seu tempo próprio. Contudo, não posso deixar de dizer de forma vincada que reprovo veementemente o esquecimento e o que o poderá ter originado, mas com a mesma veemência, dizer que são muitos castigos para um homem e cada qual o mais gravoso. Por mim, perfilar-me-ia como Egas Moniz, penitenciando-me, se o castigo maior e profundo não estiver já a ser sofrido.

domingo, 15 de março de 2009

Os benefícios da gratidão

Sendo este blogue um espaço de reflexão, decidi que era o momento propício para vos falar de algo que li há pouco e que para mim é novo. Não tão novo como parece à primeira vista, pois são aspectos que todas as pessoas vão dando conta no seu dia-a-dia.
O investigador Robert A. Emmons acaba de publicar um livro, baseado na chamada Psicologia Positiva:”Obrigado”. Nele, aborda a questão da gratidão como tarefa árdua, mas com inúmeros benefícios. Aqui, a palavra “obrigado” é sinónimo de gratidão, desde que seja assumida e expressa com honestidade. Nas suas investigações concluiu que a prática da gratidão traz inúmeros benefícios, incluindo um sono melhor, maior optimismo, mais humor e energia e melhor relacionamento com os outros.
Trata-se, em suma, de esforço e de disciplina para encararmos os momentos menos bons da vida. Diz-nos este estudioso que “quando as pessoas são gratas, elas experimentam uma energia calma, sentem-se mais alerta, mais vivas, mais interessadas, mais entusiasmadas”. A gratidão funciona como um antídoto para o stresse: as pessoas gratas têm menor tendência para sentir inveja, raiva, ressentimento, arrependimento e outros sentimentos menos positivos. Na sociedade consumista em que vivemos, é uma necessidade imperiosa que cultivemos o saber reconhecer o que de bom há no meio das agruras, de modo a não sermos espezinhados por tudo o que se passa à nossa volta (de forma desenfreada e competitiva). Podemos escolher ser gratos, mesmo quando as nossas emoções estão turvadas pela mágoa e pelo ressentimento. É uma questão de prática e de concentração.
Este pensar positivo é baseado na psicologia humanista que visa promover a qualidade de vida, empreendendo uma jornada de autotransformação. A psicologia positiva procura explorar forças até então desconhecidas na mente humana, com a finalidade de compreender o seu alcance e os efeitos que pode provocar, superando antigos preconceitos, abordando temas anteriormente desprezados pela nossa cultura, tais como a aptidão para amar, os dons interpessoais, a sensibilidade para o belo, o talento, a sabedoria.
Os psicólogos desta corrente actualíssima da psicologia indicam alguns caminhos para que se potencie esse humor, essa gratidão pela vida. Deixo-vos alguns:
- no final de cada dia, guarde alguns minutos para escrever três coisas que correram bem no seu dia e o motivo desse sucesso;
- semanalmente, escreva uma carta (ou mail…) a alguém, valorizando e apreciando positivamente a presença dessa pessoa na sua vida;
- crie o seu jornal da gratidão, escrevendo regularmente sobre o que está grato por existir na sua vida (pessoas, situações, momentos…);
- no seu dia-a-dia, pratique actos de altruísmo. Pequenos gestos em prol dos outros ajudam-nos a sentir mais positivos…

A gratidão é “a mais agradável das virtudes e o mais virtuoso dos prazeres”
André Comte-Sponville, filósofo francês

sexta-feira, 13 de março de 2009

Recursos e Percursos - para avaliação de desempenho de professores de Isilda Lourenço Afonso
Plátano Editora: 2009
Esta obra nasce das dificuldades sentidas no terreno como professora, mas também como formadora no âmbito da Avaliação de Desempenho dos Docentes (ADD).

De uma forma geral, tentámos focar a nossa atenção nos aspectos mais pragmáticos do avaliado e propor algumas pistas para instrumentos essenciais numa avaliação que se deseja equitativa, honesta e justa.

Os percursos relacionam-se com os momentos cruciais deste processo e os recursos constituirão e concretização e organização da prática lectiva e de todo o trabalho nas diferentes funções que os docentes desempenham no quotidiano.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Honestidade

Se o desonesto conhecesse as vantagens de ser honesto, seria honesto ao menos por desonestidade.
Sócrates (filósofo grego)

Prémio Literário da Ordem dos Advogados

Vencedor do Prémio Literário da OA 2009

O prémio literário da Ordem dos Advogados, ano 2009, foi atribuído na modalidade de narrativa, à obra intitulada “À sombra de Mestre Aquilino”, da autoria do advogado Manuel Lima Bastos. A entrega do prémio, assim como o lançamento do livro terão lugar no dia 19 de Maio durante as comemorações do Dia do Advogado, na cidade de Portalegre. Integraram o júri desta edição José Manuel Mendes, Henrique Mota e José Manuel de Vasconcelos. O júri fundamentou a sua decisão na “qualidade da escrita, fluente e sugestiva, proporcionando uma leitura agradável e informativa, bem como no excelente domínio e conhecimento da matéria tratada”. Manuel Lima Bastos está inscrito na Ordem dos Advogados desde 1977, exercendo advocacia na comarca de Santa Maria da Feira. Candidatou-se ao prémio literário da OA 2009 sob o pseudónimo de Frei Jorge de S. Remo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Homem e a Integridade


"Pour moi, l'intégrité, ce mot fondamental, a vraiment à voir avec l'homme dans son ensemble, avec le caractère, avec la complétude et la bonté. Je pense à un homme ou une femme intègre comme à quelqu'un qui est équilibré et complet avec un caractère superieur. Une personne qui a des principes."

Hank Paulson

sábado, 7 de março de 2009

Mais qualidades - O Humanismo
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Humanismo deriva do latim “humanus” (humano, do que é humano) e tornou-se ao longo dos séculos uma forma de estar e agir.
Surgiu como contraposição à cultura medieval, rude e grosseira, cheia de misticismos com uma nova corrente de pensamento, de cultura e estética, que pugnava o retorno ao classicismo da harmoniosa e culta sociedade de pensamento grego-latina.
Desenvolveu-se como consequência do racionalismo e do iluminismo do século XVIII e do livre-pensamento do século XIX. Pode dizer-se que emerge de uma cultura ética, faz apelo ao uso da razão e ao universalismo, por forma a alcançar o bem-estar da humanidade. As formulações conhecidas do "só sei que nada sei" ou a "da dúvida metódica", são bons indicadores deste pensamento livre e céptico a dogmas.

Entre várias definições, fiquemos com estas, que dão uma clara e actual noção de humanismo:

O Humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. Defende a construção de uma sociedade mais humana, através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais, dentro do espírito da razão e do livre-pensamento, com base nas capacidades humanas. O Humanismo não é teísta e não aceita visões sobrenaturais da realidade."
IHEU - Minimum Statement on Humanism

"Podemos definir brevemente um humanista como alguém cuja visão do mundo confere grande importância aos seres humanos, à vida e ao valor do ser humano. O Humanismo realça a liberdade do indivíduo, a razão, as oportunidades e os direitos."
Gaarder, Jostein em O Livro das Religiões
Est corpus advocatorum seminarium dignitatum
(O corpo dos advogados é um seminário de dignidade)
…”Político de valores (…) com apego à liberdade de espírito e apelo sério à responsabilidade e ao respeito mútuo, um dos pais fundadores da democracia portuguesa, para quem a política era serviço público.”
(Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas)

Natural de Lamego e licenciado em Direito, Fernando Monteiro do Amaral foi Vereador da Câmara Municipal de Lamego, Presidente da Assembleia Municipal de Lamego e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.Exerceu funções de Deputado à Assembleia Constituinte e de Deputado à Assembleia da República nas I, III, IV, V e VI Legislaturas. Ocupou a pasta da Administração Interna e foi posteriormente Ministro adjunto do Primeiro-Ministro, nos 7.º e 8.º Governos, respectivamente. Exerceu as funções de Vice-Presidente e Presidente da Assembleia da República durante três mandatos (1983-1987). Entre 1985 e 1987 foi designado para o cargo de Conselheiro de Estado.
Nos dois anos seguintes foi Deputado à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, da qual foi também Vice-Presidente.Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
( Retrato do Dr. Fernando Amaral, Presidente da Assembleia da República de Outubro de 1984 a Agosto de 1987, da autoria de Fernando Alves de Sousa, 1997)
http://www.parlamento.pt/VisitaVirtual/Paginas/BiogFernandoAmaral.aspx

sexta-feira, 6 de março de 2009

De Lamego para o Mundo - Homenagem

A Assembleia Municipal recordou o cidadão e político Dr. Fernando Monteiro do Amaral, ex-presidente da Assembleia da República, no pretérito dia 27 de Fevereiro, pelas 11h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. O salão esteve repleto para ouvir os representantes dos partidos e os presidentes da Câmara e Assembleia Municipal, o Vice-presidente da Assembleia da República e o Representnate do Colégio dos Advogados da Comarca de Lamego, prestarem sentidos e devidos tributos de homenagem aquele saudoso grande vulto do humanismo. Dos discursos proferidos, publicamos este último, com a devida vénia, e a respectiva gentil anuência.
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"Permitam-me saudar esta distinta Assembleia Municipal de Lamego na pessoa de V. Exa., Sr. Presidente, Sr. Dr. José Mário Ferreira de Almeida.
Exmo. Sr. Vice-Presidente da Assembleia da República, Sr. Dr. Guilherme Silva.
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lamego e respectiva vereação.
Exmos. Srs. Deputados da Assembleia da República.
Exmos. Srs. Deputados da Assembleia Municipal.
Exmo Sr. Bispo de Lamego.
Caros Colegas
Cidadãos Lamecenses
Excelências
A delegação de Lamego da Ordem dos Advogados e o colégio de colegas que a mesma representa, confere a V. Exa., senhor presidente da assembleia municipal, um enorme agradecimento por nesta nobre casa, e neste especial evento, ter endereçado honroso convite para homenagear tão insigne cidadão do mundo, o Sr. Dr. Fernando Monteiro do Amaral.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, Caros Colegas
Humildemente reconheço que, eventualmente, me possa claudicar legitimidade para falar sobre a dimensão do homem e do estadista, aqui homenageado.
Outros, tenho a absoluta certeza, com mais apuro, aprumo literário e conhecimento desta personalidade, do que a minha pessoa, em melhores condições estariam para prestar o presente tributo.
Basta apenas lembrar as sentidas homenagens que li nos jornais locais e nacionais, cujos escribas, além de amigos e pessoas muito próximas do sr. Dr. Fernando Amaral, tudo, mas tudo disseram sobre tão invulgar pessoa.
(…)
As breves palavras que vos direi, longe de serem alcandoradas ao epíteto de “discurso”, pretenderão apenas emprestar um singelo símbolo a uma pessoa que tanto deu ao país e à cidade de Lamego.
Permitam-me, assim, colocar como título ou sublinhado, o seguinte:
A palavra!
O Sr. Dr. Fernando Amaral de entre outras inúmeras e nobres funções que exerceu, foi professor, advogado, escritor, ministro de estado, conselheiro da Europa, vereador, presidente da assembleia municipal de Lamego, presidente da assembleia da republica.
A sua bela obra e o legado que nos deixou foi isso mesmo: a palavra.
È através dela e do seu uso que se cria a obra.
È através dela que se cria a personalidade.
È através dela que se cria o respeito e a admiração.
Não foi só o seu genético dom de magnífico orador que enformou todo o seu trajecto de homem público, de ilustre causídico, e de insigne estadista.
Todos sabemos que as palavras dele jorravam como uma nascente de água límpida, certeiras, mas muito sentidas, e que o silêncio do ouvinte constituiam o melhor elogio à sua especial condição de tribuno.
Enquanto advogado, vinham gentes de toda a região, que não tendo qualquer ligação aos litigantes, se dirigiam ao pretório de Lamego só para ouvir as alegações do Sr. Dr. Fernando Amaral.
Foi com a palavra que amainou tempestades, foi com a palavra que fez imensas amizades, foi com a palavra que conquistou consensos, foi com a palavra que transmitiu as suas mais profundas convicções cristãs e no ideário do humanismo que praticou, no exercício férreo da consolidação da democracia, e no auxílio, dentro do seu mister de advogado, que buscou e ajudou a fazer justiça.
O seu mealheiro de vivência fez dele personalidade de vulto em Portugal e no mundo.
Foram muitas as vezes que pessoas anónimas e amigas o procuravam para um simples conselho ou um caminho a seguir.
Disso sou testemunha quando (…) com a sua genuína serenidade, me disse: “seja sempre tolerante, persiga as suas convicções respeitando a diversidade, e acima de tudo seja um bom ouvinte”.
Não é, assim, por mero acaso, que todos os quadrantes políticos lhe devotaram admiração, respeito, e unanimidade de admiração pelas qualidades inatas de pessoa que acima de tudo prezava o consenso e a ética dos valores da condição humana.
A dimensão deste homem viveu em dois mundos, o da natureza e o do espírito, que nele se complementaram.
O último, constituído apenas pelo homem e por tudo o que como manifestação do seu espírito e em que encarnou valores, é a realização ancestral e perene do seu ser.
A necessidade incessante de busca da justiça e a segurança como definidores de uma vontade perpétua e constante de dar a cada um o seu direito, constituem a emanação da essência de tão grande vulto.
Pode-se dizer que a realização do seu ser, irmanado nas preocupações do seu semelhante, na procura de um mundo melhor, foi a grande obra do Sr. Dr. Fernando Amaral, feita palavra.
Excelências
Do Sr. Dr. Fernando Amaral apenas desapareceram o conjunto de moléculas que constituem o corpo humano.
Mas a sua riquíssima herança é uma celebração e um hino á vida!
E tudo por causa da sua palavra.
O Sr. Dr. Fernando Monteiro do Amaral foi um homem da PALAVRA e um homem
DE PALAVRA!
Disse."

(José Rodrigues Lourenço, Delegado da Ordem dos Advogados da Comarca de Lamego)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ai a matemática

"Num processo de execução e a requerimento do Executado, o Sr. Dr. Juiz deferiu o pedido de redução do valor da penhora do salário de 1/6 para 1/5.
Desconfio que se o Executado tivesse sido ainda mais simpático, o Sr. Dr. Juiz reduziria ainda mais, para 1/4 ou mesmo para 1/3..."
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O erro mora aonde, no advogado do executado, no sr. Juiz, em lado algum.

domingo, 1 de março de 2009


“Ser individualista é um bem, é poder escolher, é ser autónomo, é ter liberdade. Outra coisa, é ser egoísta e autista.”

Autor: Filomena Mónica , Maria
Fonte Notícias Magazine (DN)

Ainda o egoísmo, agora em Pessoa


Também Fernando Pessoa escreveu sobre o egoísmo. Para ele, o egoísmo circunscreve-se à sua dedicação às artes da escrita que o retiram da convivência social e da preocupação com as coisas mais comuns e banais do dia a dia. Ainda assim, não se considera mais egoísta que os outros, sobretudo comparativamente com os seus pares nas artes e nas letras. Deixou- nos:
Egoísmo relativo

Por mim, o meu egoísmo é a superfície da minha dedicação. O meu espírito vive constantemente no estudo e no cuidado da Verdade, e no escrúpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade. Reconheço que o sentido intelectual que esse Serviço da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifestações que em geral revelam o espírito humanitário. Os actos de caridade, a dedicação por assim dizer quotidiana são cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a negação delas.
Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras. Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.
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Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose'

Interessante explicação acerca de moral e ética